Eu ainda não consigo respirar

EU AINDA NÃO CONSIGO RESPIRAR!

Eu não consigo respirar! Poderia muito bem ser uma fala para dar início a um relato de treino, ou um desabafo logo após sprintar em uma competição e cruzar a linha de chegada. Mas, essa frase foi dita por um homem que estava imobilizado no chão por outro homem. Então, não, também não estou falando de uma luta de UFC, de judô, BJJ, Karatê-Do, Wrestling ou qualquer outra arte marcial. Imagino que você já tenha identificado e entendido do que estou falando.

 

Protesto de Colin Kaepernick ao lado de seus colegas de time, no hino americano. Temporada de 2016/17.

Eu ainda não consigo respirar

E se eu te contasse que a cena da imobilização é um homem com as mãos nos bolsos e semblante tranquilo, olhando de um lado para o outro, acompanhando com tranquilidade as coisas que acontecem ao seu redor, enquanto está ajoelhado em cima de outro com um dos seus joelhos no pescoço deste homem, enquanto ele não mostra qualquer sinal de resistência, qual seria a sua reação? Mas caso você não saiba, ou não tenha visto cenas desta atrocidade, as últimas frases ditas pelo homem imobilizado são: PLEASE, I CAN’T BREATHE. THE KNEE ON MY NECK. I CAN’T BREATHE OFFICER. THEY GONNA KILL ME. (POR FAVOR, EU NÃO CONSIGO RESPIRAR. O JOELHO NO MEU PESCOÇO. EU NÃO CONSIGO RESPIRAR, POLICIAL. ELES VÃO ME MATAR.). E agora, o que você faria?

 

Lebron James provocou a reflexão a partir de suas redes sociais.

 

Colin Kaepernick

Há algum tempo, Colin Kaepernick, uma das promessas da NFL, quarterback titular do San Francisco 49ers, já vinha protestando e mostrando a sua insatisfação com o racismo e contra a força policial em suas abordagens, muitas vezes velado, em seu país e no esporte, de uma forma geral. Enquanto a Nike o abraçou, a liga (NFL) o rechaçou. Ele foi perdendo o seu espaço no futebol americano, mas conquistando seu protagonismo como ativista pela luta contra o racismo. Mas agora, com essa brutalidade contra toda a sociedade que não aceita mais o tratamento diferente às pessoas por cor, gênero, origem e opção sexual, e muito menos aceita o desrespeito a qualquer ser humano, na forma de assassinato de George Floyd, Kaepernick assumiu o seu papel e tomou ação para seguir sua luta contra o racismo.

Nesse sentido, vemos, mais uma vez, os valores do esporte em destaque em situações que eles se fazem fundamentais. Assim como Kaepernick, vimos muito outros atletas se pronunciarem, nos últimos dias e nas últimas décadas (PANTERAS NEGRAS) a respeito do mesmo assunto.

 

Inaceitável

Não há como aceitar esse tipo de atitude ocorrida em Minneapolis, contra Floyd. Precisamos lutar contra e não deixar que isso se repita. Pois não há como falar de esporte e seus valores, quando ainda não é unânime a condição de um ser humano reconhecer o outro. Além disso, como vamos falar em transformação do esporte a partir da colaboração? Difícil! Ainda precisamos colaborar muito com questões tão básicas para a vida em sociedade. Uma sociedade justa, igualitária, próspera e unida. Assim como Colin Kaepernick, e tantos outros, também acredito que o esporte é uma potente ferramenta de transformação. Mas não apenas não é a única, como também não tem sido suficiente para essa transformação. Temos que fazer muito mais transformações do que imaginávamos, até que possamos respirar tranquilos!

 

*TIME: COLIN KAEPERNICK PERSON OF THE YEAR.

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