17 anos da Morte de Marc Vivien Foe

17 anos da morte de Marc Vivien Foe

Depois da vitoriosa campanha do Brasil na Copa do Mundo de 2002, o treinador Luiz Felipe Scolari anunciou seu desligamento com a CBF e deixou o comando do time. A Seleção Brasileira então passou a ser treinada por um outro técnico campeão mundial: Carlos Alberto Parreira. Ele voltou a assumir a Seleção depois de nove anos, quando foi tetracampeão mundial na Copa dos Estados Unidos. Parreira voltou a contar com Mario Jorge Lobo Zagallo no cargo de coordenador técnico, mesma função desempenhada em 1994. Era a dupla do Tetra voltando a assumir o Brasil em busca do Hexa.

Depois de uma série de amistosos, a seleção de Parreira se viu diante seu primeiro teste de fogo: a Copa das Confederações, disputada entre os dias 18 a 29 de junho, na França. Além do Brasil (campeão mundial de 2002) e da França (time da casa e campeã europeia de 2000), o torneio contou ainda com as seguintes seleções: Japão (campeão asiático de 2000); Nova Zelândia (campeã da Oceania em 2002); Estados Unidos (campeão da Copa Ouro da CONCACAF em 2002); Colômbia (campeã da Copa America em 2001), Camarões (campeão africano de 2002) e Turquia (Turquia, 3º colocada na Copa do Mundo de 2002). Os turcos representaram a confederação europeia em função da desistência da Alemanha (vice-campeã mundial em 2002).

O desempenho do Brasil nessa edição da Copa das Confederações não foi nada satisfatório: a Seleção foi eliminada na primeira fase da competição. A última vez que o Brasil tinha sido eliminado na primeira fase de um torneio aconteceu em 1966, na Copa do Mundo a Inglaterra. No primeiro jogo, a Seleção foi derrotada por Camarões (1 a 0). Na segunda partida, conseguiu uma vitória magra sobre os Estados Unidos: 1 a 0 (gol de Adriano). Na terceira e decisiva partida contra a Turquia, o Brasil precisava vencer para classificar-se às semifinais. O empate favorecia os turcos, nossos adversários da estreia e da semifinal da Copa de 2002.

A Seleção até saiu na frente, com um gol de Adriano no primeiro tempo, mas a Turquia virou na segunda etapa. Nem mesmo o gol de empate marcado por Alex nos acréscimos do segundo tempo foi suficiente para evitar o vexame brasileiro. A Seleção Brasileira acabou sendo eliminada precocemente da Copa das Confederações, deixando o caminho aberto para Camarões, Turquia, França e Colômbia, os quatro semifinalistas.

Pois no dia 26 de junho eu acompanhei um dos acontecimentos mais tristes que já vi no futebol. Durante a semifinal disputada entre Camarões e Colômbia, em Lyon, o jogador africano Marc Vivien Foe, de 28 anos, teve uma queda repentina no centro do gramado, sem outros jogadores por perto. A seleção camaronesa, de Foe, vencia o jogo por 1 a 0. O gol havia sido marcado por Ndiefi, aos 9 minutos do primeiro tempo. O desmaio de Foe aconteceu por volta dos 30 minutos da segunda etapa. Depois de algumas tentativas de reanimá-lo ainda no gramado, ele foi removido de campo por uma maca

A partida terminou com a vitória camaronesa (1 a 0), que resultou na classificação dos africanos para a final. Depois o jogo, o canal SporTV continuou fazendo a cobertura sobre o torneio e, na sequência, foi ao ar o programa Arena SporTV, uma mesa redonda de debates apresentada pelo narrador Cléber Machado. Durante o programa, foi discutida a vitória de Camarões sobre a Colômbia, as demais partidas da Copa das Confederações, entre outros assuntos. Mas a principal questão a ser discutida ali não poderia ser outra senão o desmaio fulminante do jogador Marc Vivien Foe.

Enquanto o apresentador e os comentaristas discutiam o ocorrido, Cléber Machado interrompe a conversa para informar uma notícia que chegara de última hora. Uma notícia que pegou todos de surpresa e que me paralisou completamente: “O Foe morreu!” O silêncio tomou conta do estúdio do SporTV e de mim também. Eu não consegui acreditar que aquele jogador, que eu vi desmaiar na TV, ao vivo, morreu em menos de uma hora. Fiquei completamente chocado com a notícia.

O jogo seguinte foi realizado naquela mesma tarde, por volta das 16h (Horário de Brasília). Era a semifinal entre França e Turquia. Obviamente, os jogadores entraram em campo já sabendo da tragédia envolvendo o colega camaronês no jogo anterior. Durante a execução do belíssimo hino nacional francês, a Marselhesa, alguns jogadores franceses não conseguiram segurar as lágrimas e choraram copiosamente pela morte do jogador. Foi uma cena absurdamente comovente.

A França derrotou a Turquia pelo placar de 3 a 2. Ao marcar o primeiro gol do jogo, o artilheiro francês Thierry Henry comemorou o feito apontando o dedo para o céu, sem se exaltar. Os outros companheiros de equipe fizeram o mesmo, numa homenagem a Foe. Aquela partida foi repleta de emoção.

A final da Copa das Confederações foi disputada em paris no dia 29 de junho. Jogadores franceses e camaroneses abraçaram-se no centro do gramado, formando um círculo. Ali mesmo, foram executados os hinos nacionais. O início da partida foi marcado por uma série de homenagens ao atleta que havia falecido dias antes. Eu torci muito por Camarões naquela partida, queria que os africanos vencessem o torneio em homenagem ao Foe. Mas a França era a grande favorita.

O único gol da final foi marcado nos primeiros minutos da prorrogação: o gol de ouro de Thierry Henry. A França venceu a partida e conquistou o bicampeonato da Copa das Confederações. Na cerimônia de premiação, havia um quadro enorme de Foe, no qual o presidente da FIFA, Joseph Blatter, colocou uma medalha de prata pelo vice-campeonato. Na ocasião, todos jogadores camaroneses estavam vestindo a camisa nº 17, com o nome de Foe nas costas. A taça foi entregue aos jogadores Marcel Desailly (capitão da França) e Rigobert Song (capitão de Camarões). Na hora da volta olímpica, os atletas das duas equipes correram em volta do gramado.

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