Bruno Seidel no blog da Alster - Transformamos o esporte a partir da colaboração

O mundo do Esporte durante e depois do Coronavírus

A primeira coisa que as pessoas deveriam entender, enquanto ainda estamos aprendendo a viver em isolamento social em meio a uma pandemia, é que aquele mundo com o qual nos habituamos até janeiro de 2020 simplesmente acabou. Pode esquecer! Mesmo que o Coronavírus seja erradicado do planeta nas próximas horas, tenha certeza de uma coisa: o estrago já foi enorme em todas as esferas: no sistema de saúde, na economia na sociedade, na política e, claro, no esporte.

 

De todos os incontáveis eventos mundo afora que foram cancelados ou adiados (ou transformados em lives), nenhum ganhou tanta atenção quanto os Jogos Olímpicos de Tóquio, que estavam inicialmente previstos para acontecer entre julho e agosto de 2020. No dia 24 de março, porém, a pandemia do Coronavírus obrigou o evento a ser remarcado para o período de 23 de julho a 8 de agosto de 2021. E aí cabe à sua imaginação entender o tamanho do rombo financeiro que isso significa para a organização dos jogos, para os atletas, para os patrocinadores, para a cidade de Tóquio e para as inúmeras entidades e profissionais envolvidos com o evento.

 

Estamos falando de uma pandemia que não tem prazo para terminar e que ainda pode estar só rascunhando seus estragos. Já é o maior acontecimento a nível global desde a 2ª Guerra Mundial e, se você ainda acha que é um exagero dizer que isso vai mudar para sempre o nosso entendimento sobre esportes, pensa aqui comigo: são reais as chances da gente nunca mais (eu disse NUNCA MAIS) ver um estádio ou ginásio lotado nessa vida. Imagens de encher os olhos em grandes eventos esportivos com torcidas aglomeradas, uniformizadas e extasiadas talvez já tenham se tornado uma peculiaridade do passado. Isso é que nenhum amante do esporte está preparado para entender ou aceitar.

 

Mas a conversa aqui não é para ter um tom pessimista ou alarmista. Relaxa! Toda crise pode ter muito a nos ensinar e até provocar aquelas mudanças ágeis que só não foram implementadas antes por falta de iniciativa ou pelo ócio do comodismo mesmo. Chega a dar um lapso de esperança ver que assuntos como home office, home schooling, automação, renda básica e cenário pós-capitalismo estão sendo discutidos com a seriedade que merecia porque, afinal, virou pauta de urgência e não mais teoria de sonhadores. Na pauta “Esporte”, temos algumas alternativas sendo colocadas na mesa.

 

Quem aparece correndo por fora nesse cenário de isolamento é a popularização e a valorização dos eSports, que já vinham ganhando amplo destaque antes mesmo da pandemia. Um exemplo disso é o campeão de DotA 2, o dinamarquês Johan “N0tail” Sundstein, que faturou o prêmio de US$ 15,5 milhões no The International 2019 (TI2019) e se tornou o jogador que mais lucrou com eSports no mundo (o valor foi dividido com os colegas de equipe). Sozinho, N0tail já faturou mais de US$ 6,8 milhões, o que é praticamente o dobro do prêmio de 3,85 milhões concedido ao vencedor do US Open pela Federação de Tênis dos Estados Unidos (USTA).

 

Num futuro bem possível de isolamento e restrições de contato físico, são grandes as chances do eSport ser o “novo esporte”, goste da ideia ou não.

 

Para aqueles que se negam a aceitar o fim do esporte popular como o conhecemos, o que temos para hoje é a boa vontade das emissoras, dos programas e comunicólogos do meio esportivo desenterrando grandes episódios do passado. É o que a Globo tem feito ao reprisar as finais das Copas de 2002 e 1994, bem como das Copas das Confederações de 2005 e 2013 (todas vencidas pelo Brasil e na voz do Galvão Bueno). Muito bacana para quem tem saudades de ver os craques imortais do passado e relembrar os áureos tempos da Seleção, mas não sabemos até quando essa onda saudosista vai nos anestesiar da impossibilidade de vibrar com algo inédito e ao vivo.

 

Canais especializados em esportes como Sportv, ESPN e Fox Sports estão sendo obrigados a se reinventar e a manter seus profissionais ativos numa época totalmente atípica e sem acontecimentos inéditos para debaterem na mesa redonda (e sem cair na tentação de debater sobre o Coronavírus, que é o assunto que tomou conta de praticamente todas as rodas de conversa). Se em época de pré-temporada já é difícil achar pautas que não sejam contratações e especulações, imagina num hiato desses? Haja apelo forçado ao saudosismo!

 

Já se discute por aí a possibilidade de clubes esportivos retomarem as atividades com treinos isentos de contato físico e distância inferior a dois metros entre atletas. Vamos combinar que, para esportes de contato ou coletivos, isso é basicamente a concepção de novas modalidades. E sem a presença de aglomerações na arquibancada, então, vira qualquer outra coisa!

Bruno Seidel no blog da Alster - Transformamos o esporte a partir da colaboração

 

E isso que estamos falando de coisas super realistas e imagináveis num futuro próximo. Ainda nem nos demos o trabalho de supor que essa pandemia pode ser ainda maior do que parece, exponencializar a curva e fazer estragos que evitamos admitir, como a relação de fronteiras entre países e a capacidade de chefes de estado liderarem suas nações, o que poderia colapsar com o sistema capitalista e com o conceito de nações ou estado como conhecemos. 

 

Assim como as guerras dos Séculos XIX e XX redefiniram o cenário econômico global e o próprio conceito de nacionalismo que definiu as rédeas do mundo em que vivemos hoje, é bem provável que o Coronavírus esteja fazendo algo de igual proporção. E o esporte, enquanto fenômeno social, certamente sofrerá consequências. Nunca mais será com antes. Talvez seja melhor, talvez seja pior. Mas vai ser diferente. E, por enquanto, não há muito o que possamos fazer. Quer dizer, até dá para se divertir imaginando como vai ser esse mundo pós-Coronavírus. Teremos novas edições dos Jogos Olímpicos? Teremos Copa do Mundo? Os esportes de contato deixarão de existir? Vão ser reinventados? Os eSports serão a bola da vez? Continuaremos tendo um “ranking de nações” em forma de quadro de medalhas? Atletas continuarão sendo “símbolos do nacionalismo”?

 

Faça suas apostas e jogue as cartas na mesa. É o que temos para hoje!

 

REFERÊNCIAS:

 

Veja os cinco países que mais lucraram nos esports em 2019

 

N0tail acumula R$ 28 milhões e é o jogador que mais lucrou nos esports

 

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