A Dobra não se reinventou durante a pandemia

Com a pandemia avançando e durando mais tempo do que qualquer um gostaria, o que mais vemos por aí são pessoas falando que negócios precisam se reinventar durante a crise.

E não vou dizer que estão errados.

Mas depois de pensar muito sobre isso nos últimos dias aqui na Dobra, ficamos com uma reflexão:

Será que se reinventar, literalmente falando, não vai ser uma necessidade de marcas e negócios que ainda não tinham claro qual a sua razão de existir?

Pra explicar, vou usar o exemplo aqui da Dobra, que pra quem não conhece, é uma marca que fabrica carteiras, tênis e outros produtos feitos com um material que parecem papel.

Esse talvez seja o jeito mais fácil e “normal” de explicar o que fazemos.

Mas mais a fundo, trabalhamos desde o início pra criar uma empresa voltada ao futuro que queremos ver.

Se já não vemos mais sentido nos modelos de empresas baseados em conceitos antigos de administração herdados da revolução industrial, que enxerga pessoas como partes da engrenagem de uma máquina, que cria processos repetitivos e lineares de produção em massa, que divide a empresa em departamentos que pouco se comunicam e geram silos, por que continuamos criando novas empresas que seguem o mesmo script rodado até agora?

Entendemos que precisamos criar nossos novos negócios olhando pra frente, e não se baseando no que já foi feito até então.

E essa mentalidade têm dado muito certo pra gente. Em 4 anos de vida colhemos frutos super legais, como uma base de mais de 250 mil clientes diretos e um NPS que gira em torno de 90.

Mas mais do que isso, entendemos que os produtos que fabricamos e vendemos (as carteiras, tênis, etc) são só as ferramentas que usamos pra alcançar coisas bem maiores. Eles são só o meio, e não o fim.

Vendemos carteiras pra bancar uma operação maluca onde os salários são iguais pra todos, não há hierarquia, a galera se diverte trabalhando e experimenta novos jeitos de trabalhar que façam mais sentido nos tempos atuais.

Vendemos carteiras como desculpa pra criar uma experiência de compra surpreendente e se relacionar com nossos clientes em outro nível de profundidade, como membros de um clube ou comunidade de pessoas que se conectam por acreditar nos mesmos valores.

Vendemos carteiras pra causar impacto positivo na comunidade que nos cerca e experimentar novos modelos de produção, envolvendo uma rede de pessoas da cidade que recebem muito acima da média do mercado, trabalhando de casa.

Vendemos carteiras pra bancar o programa Dobra+1, que de tempos em tempos tira do papel um novo projeto social pensado pra ser divertido e causar impacto na nossa região, além de inspirar globalmente outras pessoas e empresas a fazerem o mesmo.

Por isso, se os produtos que vendemos não são o motivo pra que existimos, fica muito mais natural virar a chave e se adaptar ao momento que estamos vivendo.

Em uma tarde, mudamos a home do nosso site tirando toda os aspectos de ecommerce (catálogos, banners, produtos e loja), e colocamos no ar uma plataforma de conteúdos gratuitos que chamamos (bregamente) de Dobraflix. Um hub que centraliza conteúdos criados pela Dobra, mas também conteúdos de várias marcas e escolas parceiras que toparam disponibilizar materiais gratuitos pras pessoas consumirem durante esse período.

Mudamos também nossa produção e usamos nossa capacidade que estava ociosa pra produzir máscaras pro hospital público da cidade. Com a ajuda da nossa rede de produção e costura, estamos ajudando a atender a demanda enorme por máscaras desses profissionais da saúde. Inclusive, começamos a experimentar a venda de máscaras pra empresas pra ter uma fonte de receita durante a paralisação, além de poder viabilizar a produção de mais máscaras pra doação com parte do lucro.

Também criamos o projeto Rango Dobrado, em que espalhamos prateleiras ou caixotes próximo a supermercados, pra que quem tenha uma grana sobrando compre um alimento a mais e deixe na prateleira, e quem esteja em situação vulnerável e com fome possa pegar, de graça. E o projeto é 100% open source: criamos um tutorial pra que qualquer pessoa possa replicar a ideia no mercado dos seus bairros e cidades.

Colocamos no ar o projeto Mapa das Máscaras (talvez o nosso projeto com maior impacto até aqui) que conecta quem quer comprar máscaras com costureiras(os) e artesãs(os) do Brasil inteiro que produzem localmente pra conseguirem gerar renda. Já são mais de 1300 produtores cadastrados, e mais de 30mil máscaras vendidas pela plataforma (que temos conhecimento).

Por fim, não quero dizer que seja fácil mudar e passar por esse momento delicado só por ter um propósito e razão de existir bem definido. Longe disso. Tá sendo tão complicado pra Dobra como pra qualquer outra empresa que precisa sobreviver à esse momento.

Mas será que esse movimento de reinvenção, não é na verdade um movimento de adaptação pra aquelas empresas que já existem pra fazer coisas além de vender um produto ou serviço?

 

A gente acha que sim. E torce pra que quando todos saírmos dessa, esse seja a real reinvenção de vários negócios por aí.

—-

Texto escrito por Eduardo Hommerding originalmente publicado no Canaltech: https://canaltech.com.br/empreendedorismo/a-dobra-nao-se-reinventou-durante-a-pandemia/

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