Se proponha desafios, eles te fortalecem | Parte 2

Se proponha desafios, eles te fortalecem | Parte 2

Se você leu o primeiro texto que escrevi, você já sabe das inseguranças que tive e desafios que eu me propus. Na verdade, não sei se realmente sabe. Acredito que nem eu sabia até vivenciar eles. Acho que todos que se propõem desafios têm uma ideia, imaginam como será, mas ninguém sabe até realmente sentir na pele.

 

Eu já havia realizado nos anos anteriores ao da Carretera Austral viagens de bicicleta. Em 2017, fiz o litoral do RS com mais 4 pessoas, Balneário Pinhal até Rio Grande. No carnaval de 2018, resolvi ir para o Uruguai fazer do Chuí até Punta del Este, dessa vez sozinho. Todas essas viagens acampando, mas todas levaram uns 6 dias no máximo. Passar 28 dias acampando era algo que eu nunca tinha vivenciado.

 

Bom, para você entender a viagem, eu tinha 30 dias de férias. Utilizei 28 para a viagem: 03 dias de translado de avião  e 25 dias para realizar a Carretera Austral, que totalizam 1200km (ilustrações abaixo. Clique para ampliar a imagem). Inicia na cidade de Puerto Montt e acaba na Villa O’Higgins. O trajeto de saída do chile e entrada na Argentina estava incerto como realizar, não se tem muita informação clara sobre isso, somente que sai da villa O’higgins de barca e desembarca no outro lado do rio, em Candelário Mancilla. Deixei reservado 4 dias para esse translado. Eram 250km, mas os relatos sugeriam esse tempo para percorrer. O que eu quero mostrar é que não tinha muitos dias de descanso. Dos 20 de Carretera, eu queria realizar duas trilhas: Ventisquero Amarillo e Cerro Castillo. Ou seja, teria somente um dia de total descanso.

 

 

Após os 5 primeiros dias de pedaladas diárias, como falei no meu primeiro texto, já estava me adaptando à questão física. Estava encontrando formas de relaxar mais quando parava. Nos primeiros três dias eu não estava me alimentando muito bem, estava comendo pouco, só jantava e tomava café. Com a euforia de querer pedalar e estar na estrada, demorei para entender que eu podia comprar comida a mais e almoçar no caminho.

Eu saia normalmente pelas 11h da manhã, gostava de ficar mais com o acampamento montado e curtir a manhã. Era um dos poucos momentos sem fazer nada. Vou confessar que no início era complicado desmontar tudo e guardar no bagageiro, acho que ia mais de 1h – ainda estava me adaptando e, toda vez que estava finalizando de acomodar tudo, me dava conta que não tinha pegado alguma roupa ou algo que precisaria e, claro, não tinha a mínima ideia de onde estava o que eu queria. Imagina a cena!

Em março, na patagônia o sol aparece pelas 08:30 e se põe 12 horas depois, então as 8h de pedal diárias ficavam para o horário da tarde. Chegando na cidade, o ciclo recomeçava outra vez: montar acampamento, comprar o que faltava, fazer a janta e descansar.

 

A Carretera é de conhecimento mundial, tem muita gente fazendo ela de norte a sul e de sul a norte. Caminhando, pedalando, de carro, pegando carona. Todo o tipo de pessoa, e volta e meia eu cruzava com alguém. Nos campings sempre tinha gente e era um bom momento para socializar, já que estava sozinho o dia todo.

 

No segundo dia na cidade de Chaitén, conheci um chileno que estava fazendo a estrada de bicicleta, já estava viajando há uns 2 meses eu acho, e ia seguir pelo mesmo sentido. Ele estava junto com um americano, tinham se conhecido na estrada também. No dia seguinte, fomos junto para o parque Pumalin para fazer a trilha do Ventisquero Amarillo. Acabamos nos separando no camping e eu não vi mais ele.

 

No sexto dia de pedal, estava saindo de La Junta e indo para Puerto Puyuhuapi. Estava batendo meu recorde de 320km de distância em viagens. Nesse dia, estava nublado, mas ainda não estava chovendo. Eu estava curtindo o pedal até que escuto um barulho atrás e, quando eu vejo, é o chileno que havia conhecido há dias atrás. Estava com uma turma de outros viajantes, praticamente um pelotão. Foi uma ótima surpresa, nunca imaginei que iria reencontrá-lo. Paramos e conversamos sobre o trajeto e tudo mais, uma boa experiência. Estávamos indo para o mesmo lugar e ele comentou de um camping que haviam indicado.

 

Se proponha desafios, eles te fortalecem | Parte 2

Recorde batido: 320km pedalados

 

Chegando à cidade encontramos um senhor de 80 e poucos anos, estava de bicicleta viajando no mesmo sentido. Tentava, pela segunda vez, completar a Carretera. Na primeira tentativa, os raios da roda dianteira haviam se destruído um pouco mais adiante de onde estávamos, na encosta Queulat, a subida mais longa da Ruta 7. Eram 15 km de subida contínua e ele teve que voltar para casa. Mas, ele estava bem mais equipado dessa vez, com raios extras, e contou que estava pedalando uns 30 km por dia, sem pressa.

 

Eu sabia que havia uma subida próxima, mas não tão longa. Já comecei a me preparar mentalmente para no dia seguinte fazer bem essa subida, dessa vez eu não iria descer da bicicleta, mas isso fica para o próximo texto.

 

*Caso queira ler os textos anteriores, que contam a viagem até aqui: Parte 1, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte Final.

 

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