Se proponha desafios, eles te fortalecem | Parte 3

Retomando a história, eu estava no sexto dia viagem, chegando um Purto Puyuhuapi e descobri que o sétimo dia de pedal teria a maior subida da Carretera: 15 km de subida contínua, em zigue-zague. Já comecei a me preparar mentalmente para esse dia, ficaria a primeira semana de viagem e chegaria no ponto mais alto da ruta 7. O destino desse dia poderia ser Villa Amengual ou Puerto Cisne. A estrada tem essa bifurcação (Mapa bifurcação), mas indo para o porto teria que voltar pelo mesmo caminho. As pessoas que estavam no camping diziam que não tinha nenhum lugar para ficar em Villa Amengual, era uma vila muito pequena, e que o indicado seria ir para puerto cisne, o destino mais perto saindo de onde estávamos. Eu tinha visto no mapa que tinha somente um lugar para ficar, mas não tinha 100% de certeza. Estava no mapa: Refúgio para ciclistas. Confiei na intuição e determinei que esse seria o destino. Se fosse para o porto, eu perderia um dia fazendo o caminho de volta para seguir na Carretera. Ah, e sabia que passaria por mais um ventisqueiro (Ventisqueiro Colgante), por ter o desafio da subida resolvi entrar e ver de longe, para seguir pedalando.

 

 

Assim foi! Comecei o dia cedo. Me alimentei bem, comprei comida para a estrada, estava motivado. Queria provar para mim mesmo que eu conseguia subir sem parar, que eu tinha evoluido meu preparo. Nos primeiros 20 km, cheguei no ventisqueiro. Entrei, vi o que precisava e voltei ao pedal. A subida começava 25 km depois. Motivação a mil, diminui a marcha e fui pedalando bem leve, sem pressa. Bom, o que eu não contei foi que essa subida não era no alfato, era no “chão batido que não é batido”. Tem muitas pedras grandes e soltas também. Ah! E passa todo o tipo de veículo por ali, então eu fiquei torcendo para não chegar nenhum carro. No meio da subida, vi que não seria um problema completar. Ela não era tão íngreme quanto eu imaginava. Nesse momento eu vi que tudo foi feito certo. (Mapa subida) A sensação foi muito boa! Eu tinha conseguido, mas ainda faltavam mais 30 km e já era meio da tarde, então eu tinha que seguir (Video chegada no topo).

Um tempo depois, o sol começou a se pôr e aconteceu a cena mais linda de toda a viagem: pôr do sol amarelo escuro batendo nas montanhas. Lindo demais. Endorfina a mil, energia maravilhosa, sensação de prazer absurda. Ainda faltavam uns 15 km e eu, de uma certa forma, desliguei. Achei que esses últimos quilômetros seriam tranquilos. A noite foi chegando e a vila não aparecia, a distância não encurtava. O fato de começar a escurecer me deu um pavor. Isso me fez ligar de novo e acelerar no pedal. Ao mesmo tempo, as inseguranças voltaram! Será que existe um lugar para ficar? Ninguém vem para essa cidade, será que ela realmente existe? Parei de pedalar, peguei minha lanterna de cabeça e liguei ela, já não se via nada. Às 21h, cheguei no vilarejo e fui em direção onde o mapa indicava o refúgio.

 

Cheguei na frente. É uma casa bem simples, com bicicletas na frente. Bati na porta. Abriu uma mulher, perguntei se tinha espaço para ficar, mas ela não demonstrou muita positividade. Logo apareceu um guri de uns 15 anos, parecia europeu. Na sequência, outra mulher tomou a frente e eu disse que podia acampar ali na frente mesmo, só precisava de um espaço para deixar a bicicleta. Deu para entender que tinha uma família se hospedando ali. A dona do refúgio me levou até o dormitório externo e disse que tinha somente um colchão, mas que, como eles já haviam reservado o refúgio, eu teria que ficar junto com aquela família. Então ela perguntou para o casal se teria algum problema, já que eles estavam com os filhos. Prontamente, eles disseram que não teria problema, que eu poderia ficar. Aquilo foi um alívio! Eu ainda estava com os batimentos acelerados, todo suado do pedal e de todo estresse. Me perguntaram de onde estava vindo e ficaram impressionados quando disse que era de Puyuhuapi. A final, foram 90km junto com a subidinha…

 

Resumo da história: o casal estava viajando de bicicleta com seus três filhos há 1 ano, começaram na Colômbia. O guri tinha 15 anos e as duas gurias tinham 7 e 6 anos. Estavam utilizando as bicicletas duplas, os pais levavam as gurias e o guri ia sozinho. Comecei a arrumar as minhas coisas e me ofereceram uma sopa com arroz e legumes que havia sobrado. Aí foi a redenção do dia, COMIDA PRONTA! Só me restava dormir e descansar (em um colchão!) para o próximo dia de pedal. Faltavam dois dias para eu chegar em Coyahique, a maior cidade da região, e chegaria o dia de descanso total.

 

*Caso queira ler os textos anteriores, que contam a viagem até aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 4 e Parte 5.

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