Se proponha desafios, eles te fortalecem | Parte 4

Se proponha desafios, eles te fortalecem | Parte 4

Após o final da primeira semana de viagem, no dia 14 de março de 2019, sigo pedalando em busca da maior cidade da região, Coyahique, e do 10º dia, o grande dia de descanso. O 8º dia de pedal foi da Villa Amengual para Villa Manihuales. Como não tinha muitos quilômetros (55 km) e havia poucas subidas, resolvi ficar um pouco mais no refúgio e saí pelas 13h. Esse foi um pedal bem tranquilo e com vistas lindas (foto). No 9º dia eu tinha duas opções: seguir um caminho asfaltado ou de chão batido, com passagem por apenas um vilarejo, um caminho mais pelo interior (ou seja, sem muita certeza do que viria) Claro que eu escolhi o de chão batido.

 

 

Iniciei o dia de pedal tendo como objetivo  70 km a pedalar. Pilhadeira de incío, bem descansado. O dia estava lindo, temperatura maravilhosa. O 9º dia foi um sábado e eu estava muito motivado por ser sábado, embora não alterasse nada para mim. Estava em um bom ritimo, já estava pedalando no chão batido fazia 1h ou mais, e resolvi parar para comer. Estes são momentos muito importantes que podem resolver ou, simplesmente, estragar um dia de pedal. Já vinha me questionando se deveria fazer essas paradas mais longas do que 30 min. Nas últimas paradas não tinha me sentido bem na volta do pedal. Demorava para pegar no tranco de novo, gastava menos energia continuar pedalando. Mas até então não tinha me decidido, então parei e comi um sanduiche em uma baita vista. No que retornei ao pedal bateu o sofrimento do retorno e começou uma estrada tenebrosa, cheia de costeleta. A bici toda vibra, o pedal não rende. A decisão de não parar mais ao longo do pedal por muito tempo estava feita.

 

Depois de 7h de pedal chego em Coyhaique, encontro um camping e, bom, já posso descansar por mais de 8h! Eu tinha tanto tempo que nem sabia o que fazer e decidi não fazer nada mesmo. Almocei em um “lomo a lo pobre”, que é o nosso a la minuta. Tomei umas cervejas de uma cervejaria da região, Austral, bem boa.  Também conheci um pessoal que também estava viajando, uns indo no mesmo sentido, outros indo de norte a sul. Assim, consegui algumas dicas importantes da continuação do trajeto.

 

Buenas, fim de descanso, segui para um dos pontos mais esperados: Cerro Castillo, no 11º dia seriam 95 km de pedalada. Dizem que é a Torres del Paine pequeno. Eu tinha um dia a mais, sem pedal, para poder fazer a trilha de 7 km até o topo do Cerro. Tinha falado sobre a alimetria na Parte 3, mas não me lembrava que nesse dia cheguei aos 1000 m. Com certeza foi o pedal mais frio de toda viagem. No final do dia, quase chegado na vila, tive que enfrentar uma decida, e eu simplesmente não sentia as minhas mãos. Cheguei no camping e organizei a minha barraca no meio do mato, um lugar lindo, mais alto que a Sede. Essa noite foi a pior de todas, o saco de dormir que é para -10 graus não segurou. A umidade gelada passava o tecido do saco e tocava na pele. Acordei ao longo de toda a noite congelando, não havia o que fazer.

 

Então, no 12º dia segui para a trilha e conheci o famoso Cerro Castillo (foto), trilha de 14km de ida e volta, lugar espetacular, com uma vista incrível (foto).

 

 

 

No 13º dia, eu não ficaria em nenhuma cidade. A cidade mais próxima que era Puerto Rio Tranquilo, estava há 120 km. Encontrei no mapa o camping Dona Dora e foi para la que eu fui. Estrada bem complicada, muito rípio solto, é basicamente a nossa brita. Ao longo do pedal, vejo que a tampa de uma das garrafas de água, que estava servindo de bolsa térmica (texto 1), estava solta, mas resolvi não parar para arrumar. Como estava trepidando bastante, a tampa foi se soltando e, depois de alguns minutos de pedal, quando volto a olhar para a garrafa, a tampa não estava ali. Resolvo parar para encontrar a tampa. Quase missão impossível, não tem como saber onde a tampa caiu, o que tornava mais difícil ainda. Deixei a bicicleta no canto da estrada e fui caminhando olhado pro chão, até que chegou um casal de moto, estava no sentido contrário (Norte – Sul). Param para conversar, queriam saber se eu precisava de ajuda, eram Brasileiros de Curitiba! Comentei da tampa da garrafa, mas não dei muita ênfase, perguntei sobre o caminho, tinha algumas dúvidas sobre banco para trocar dinheiro e tudo mais. Nos despedimos eu segui procurando, mas já desistindo. Voltando para a bicicleta, escuto uma buzina! São eles retornando com a tampa da garrafa na mão!

 

Pode parecer algo muito simples, mas é aí que está o detalhe: nessas viagens tudo que se carrega tem a sua importância. Eu perderia a minha bolsa térmica, que estava sendo extremamente útil. A empatia é algo lindo demais nessas viagens, como aconteceu com a família que permitiu que dormisse no mesmo quarto (Parte 3). Essas situações têm um valor incrível. Feliz por terem encontrado a tampa da garrafa voltei a pedalar até o camping Dona Dora. Depois de mais umas 5h pedalando, cheguei no camping por volta das 19h, o que é bem cedo para os horários que eu estava chegando. A própria Dona Dora me atendeu, eu perguntei sobre o camping e ela me apresentou uma casa com 20m2 com biliches com COLCHÃO, lareira e um banheiro. A estadia estava o mesmo preço dos campings em que eu havia estado, aceitei na hora. O 13º dia eu dormi em uma casinha, com colchão, lareira e de manhã ela faria pão para vender!

 

*Caso queira ler os textos anteriores, que contam a viagem até aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 5 e Parte Final.

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