Se proponha desafios, eles te fortalecem | Parte 5

Buenas! Voltamos com a 5ª parte do relato da Carretera Austral – Ruta 7. Os links para acesso aos outros textos estão no fim deste.

 

No último texto, estava finalizando a segunda semana de viagem, 2/3 da viagem completada. Neste dia, encontrei um ótimo lugar para descansar. No 14º dia, a dona Dora estava preparando os pães e me convidou para entrar e conversar. Muito boa companhia. Pães quentinhos logo pela manhã é um luxo! 

 

 

Segui viagem para Puerto Rio Tranquilo. Eram 38 km, então estava bem tranquilo em relação ao pedal, sabia que não teria grandes dificuldades. E, realmente, não tive. Essa cidade é base para um dos passeios mais conhecidos da Patagônia Chilena: visita às Carpilas de Marmól. Realmente, deve ser lindo, pelo que se vê nas fotografias. O sol incide sobre as pedras esculpidas pela água, deve ser lindo. Como vocês podem ver, eu não fui, não estava muito interessado. Me disseram que o horário bom seria pela manhã, para ver o sol sobre as pedras… eu só poderia ir à tarde, então resolvi economizar esse dinheiro e tempo, para tomar umas cervejas e descansar (foto abaixo). Nessa altura da viagem, eu estava focado em chegar no meu destino final que seria a Villa O’higgins. Sempre deixei o trecho da Argentina de fora do objetivo principal, por não saber ao certo o tempo que levaria, se conseguiria pegar a barca. De todas pessoas que eu cruzei, ninguém soube me confirmar ao certo. Estava contando com ter que pegar um ônibus ou até uma carona nos 250km pela Ruta 40.

 

 

Nesse ponto da viagem, eu já havia visitado todos os lugares que eu realmente queria ver, com isso começou a briga mental de achar que a viagem já havia acabado. Mas, ainda faltavam 09 dias de Chile, mais 04 dias de Argentina. Isso significava 600km depedal, tinha muita estrada ainda (trajeto abaixo). Nesse ponto da viagem, aumentava também a preocupação com a estrutura do bagageiro. Eu tinha parafusos e porcas extras caso algum estourasse. No bagageiro, devia ter uns 20 kg de equipamento e, com o trepidar da estrada, realmente ficava com medo de alguma coisa se soltar. Imaginem, no meio do nada a estrutura dos alforjes quebrar! Toda manhã tinha o checklist dos parafusos.

 

 

O 15º dia de pedal foi difícil, estava frio e nublado, saí do camping com uma garoa. Teria que pedalar 68 km, e deu para notar que seria embaixo de chuva. Esse foi o dia que eu saí brabo do camping, realmente não estava nenhum pouco a fim de pedalar no frio e na chuva. Mas, pensar que os 68 km de pedal do dia se somariam aos 50 km do dia seguinte, foi o que me fez pela décima quinta vez desmontar acampamento e organizar tudo na bicicleta. Foram 7h de estrada sem descanso de chuva. Por mais que a capa que eu tinha fosse boa, deu 2 h de estrada e já estava tudo encharcado. Esse dia eu parei somente por 15 min para comer uma massa da janta e segui viagem. Realmente, queria acabar logo.

 

Chegando no fim do percurso, faltando poucos quilômetros para chegar na Villa de Puerto Bertrand, comecei a me preocupar onde dormir. Será que acampava mesmo com chuva com todas roupas molhadas ou pagava um pouco mais e ficava em um hostel? Bom, essa discussão interna foi até chegar na Villa, ainda com chuva. Não havia nenhum camping, somente algumas casas que alugavam os quartos. Fui na primeira e estava fechada, a segunda era muito cara, fui na terceira e consegui um teto para dormir, por 12 mil pesos (R$60) com café da manhã. Seria o dobro que eu estava pagando pelo camping, mas estava valendo para fugir da chuva. Acredito que tenha sido o dinheiro mais bem gasto de toda a viagem. Eles tinham um fogão à lenha, consegui estender minhas roupas e secar tudo.

 

No dia seguinte o tempo abriu, estava um céu azul, incrível! O 16º dia, 23 de março de 2019, era um sábado (foto acima). O destino era Cochrane, a segunda maior cidade da Ruta 7, e ainda tinha uma semana de Carretera Austral, com aproximadamente 04 lugares para dormir. Queria deixar um ou dois dias de sobra para cruzar para Argentina. Assim, resolvi que essa cidade seria meu segundo dia descanso. Mentalmente eu estava muito cansado. Ao longo dos dias de pedal eu tinha picos de motivação e já estava querendo chegar no destino final. Esse descanso foi essencial. Consegui falar com amigos, postar algumas coisas da viagem, troquei dinheiro e descansei. Estava pronto para os últimos dias de Carretera Austral (foto acima).

 

*Caso queira ler os textos anteriores, que contam a viagem até aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte Final.

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