O Esporte é para todos: a polêmica sobre atletas transgêneros

Um assunto polêmico voltou a ganhar evidência neste início de junho. Há muito se discute sobre a participação de atletas transgêneros em competições genuinamente masculinas ou femininas.

 

O EUA, potência mundial nos esportes, decidiu ser ilegal mulheres trans participarem de competições femininas.

 

A decisão foi tomada pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos, o que seria correspondente ao Ministério da Educação no Brasil. O órgão entendeu que a política da Conferência Atlética Interescolástica do Estado de Connecticut, que permite atletas trans competirem no esporte feminino, viola a Lei Federal de direitos civis de atletas femininas, tornando a regulamentação estadual ilegal.

 

O posicionamento do Departamento se deu em resposta a um pedido da Alliance Defending Freedom, em favor de competidoras femininas que alegaram ter perdido oportunidades competitivas e possíveis bolsas de estudos em várias competições estaduais, após terminarem as disputas atrás de duas atletas trans, Terry Miller e Andraya Yearwood.

 

Mundialmente este assunto divide opiniões, discute-se muito sobre as supostas vantagens das atletas trans nas competições femininas. Isso porque, grande parte delas se desenvolveu por longo período como homens, produzindo naturalmente uma grande quantidade de hormônio masculino.

 

A produção natural da testosterona, hormônio masculino, resulta num desenvolvimento corporal diferenciado em relação às mulheres não trans: altura, força física e de impulsão, capacidades pulmonar e cardíaca. O que, dentro das pistas, quadras, piscinas, ringues, campos, pode acarretar uma grande vantagem.

 

Sobre esse assunto, em matéria veiculada pelo site Medium, o médico Dr. João Grangeiro, que ocupou o cargo de diretor médico das Olimpíadas Rio 2016, fazendo referência à Tiffany, primeira transgênero a disputar uma partida oficial da Superliga, comentou que:

 

“Ela nasceu do sexo masculino e construiu seu corpo, músculos, ossos, articulações com testosterona alta. Nenhuma mulher, a não ser que tenha usado testosterona de origem externa ao organismo, conseguiria formar o mesmo corpo. É só olhar para a atleta, alta e muito forte”.

 

Apesar de alguns indícios, não existem provas científicas que atletas mulheres transgênero possuem reais vantagens sobre atletas cisgênero – nome dado a quem mantém o sexo biológico com o qual nasceu.

 

Por esta razão e em busca da inclusão de gêneros na sociedade e nos esportes, atualmente, o Comitê Olímpico Internacional – COI permite que atletas trans mulheres participem de competições da categoria feminina junto às mulheres não trans, mas com a condição de que tenham o índice de testosterona inferior a 10 nmol/L (nanomols por litro de sangue) por pelo menos, 12 meses antes da primeira competição. Para se ter um parâmetro, o índice da Tiffany é 0,2 nmol/L.

 

Notadamente é um assunto que ainda requer muito estudo e reflexão para uma definição consolidada e justa.

 

Isso porque, um dos princípios determinantes do esporte é o da equidade, o mesmo que rege as regras antidopagem. O princípio busca manter a igualdade e o equilíbrio entre competidores, ao ponto de não prejudicar o espírito esportivo.

 

Por outro lado, uma das grandes funções do esporte é promover a inclusão, seja social ou de gêneros.

 

Não há dúvida que os transgêneros devem estar inseridos no cenário esportivo profissional, participando das grandes competições mundiais, assim como as atletas cisgênero não podem ser prejudicadas por eventual desequilíbrio causado por trangêneros.

 

Deve-se buscar o equilíbrio e criar regulamentações que ponderem ambos os princípios, equidade e inclusão. Usar a criatividade para a criação de critérios que ampliem a participação de atletas trasngêneros e não a sua segregação, bem como minimizem os eventuais prejuízos às atletas não trans.

 

Obviamente não é algo simples, mas uma coisa é certa, o esporte é para todos e, o Estado e o setor esportivo devem encontrar soluções para que isso seja possível.

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