Praticar esporte para tomar decisões

Praticar esporte para tomar decisões

Todo mundo sabe sobre os benefícios do esporte. Melhoramos o humor, aceleramos o metabolismo, aumentamos as defesas do corpo, entre muitos outros. Nesse sentido, devemos, idealmente, praticar esporte por, no mínimo, 3 vezes por semana (cerca de 30 minutos por vez). Podemos praticar de forma mais leve até exercícios mais vigorosos. Mas você sabe da importância de praticar esporte para tomar decisões?

 

Exercitar-se aprimora o corpo e, principalmente, a mente. Mas, um dos pontos que não é tão discutido como benefício do esporte – e que está diretamente ligado ao aprimoramento mental – é a melhoria no processo de tomada de decisão.

 

Antes de entrar na relação entra a decisão e o esporte, quero, rapidamente, delimitar o que eu quero dizer por decisão e como funciona o processo decisório.

 

Decidir

A tomada de decisão é um fenômeno que permeia a vida cotidiana, que significa escolher uma opção preferida dentre um conjunto de alternativas possíveis. A partir disso, a gente escolhe desde o momento que agente acorda até a hora que vamos dormir. Cada escolha pode aumentar ou diminuir a capacidade cognitiva das pessoas. Por capacidade cognitiva, pense que, tal qual um computador, a gente tem um volume “x” de bits e bytes que podemos processar em um único momento. Se passarmos desse limite… temos a famosa “tela azul”.

 

Toda decisão envolve um nível de incerteza. Ela é tão somente falta de qualquer informação ou cognição sobre o problema em questão… No primeiro caso, o indivíduo ou membros de um grupo simplesmente não têm informações suficientes para concluir o processo de decisão no caminho preferível. Por outro lado, a falta de cognição significa que o indivíduo ou membros de um grupo podem possuir as informações necessárias, mas não têm capacidade para processar e interpretar essas informações de uma maneira que permite a sua utilização adequada no processo de tomada de decisão.

 

Para diminuir a incerteza, precisamos adquirir informações. Níveis de informações podem variar dentro de cada decisão.  Pessoas todos os dias recebem uma quantidade considerável de informações de muitas maneiras, auditiva, visual, tátil, estímulo emocional podem ser uma fonte de novas informações. Adquirir informações é procurar tanto interna como externamente para os elementos que podem afetar o processo de decisão. Esse conhecimento nos leva a possível mensuração dos riscos de uma decisão.

 

Praticar esporte para tomar decisões

Agora, ao esporte. Principalmente como tanto o esporte como o processo de decisão se beneficiam mutuamente.

Praticantes mais assíduos(as) de atividades esportivas já podem ter iniciado a fazer uma relação entre os pontos que foram apresentados acima (decisão, incerteza, aquisição de informação e risco). Cada esporte, obviamente, apresenta seus desafios particulares e exige diferentes capacidades cognitivas de cada pessoa, mas podemos sempre contabilizar essas quatro características.

 

Vou dar um exemplo considerando a minha atividade preferida desde criança, o Karatê-Do. Obviamente o Karatê-Do, como qualquer arte marcial, é muito mais profundo do que somente uma mera execução de golpes. Não entrarei no âmbito filosófico para não fugir do tema, até porque o André já fez um texto bem bacana sobre isso aqui mesmo (O ZEN no empreendedorismo).

 

O que seria uma decisão no contexto do Karatê-Do?

Notadamente, a situação normal é estar perante um(a) adversário(a), o objetivo último é desferir um golpe tal que, mais rápido e com maior precisão, tenha o maior efeito possível no(a) adversário(a). Contudo, não se luta sozinho(a). Há que considerar a possível reação, defesa ou contra-ataque.

 

Vamos ao primeiro ponto, a decisão. Deparado com um(a) oponente, devo tomar uma decisão de qual golpe ou combinação de golpes acredito que será mais efetiva. A partir disso, há milhares de combinações que podem ser utilizadas para um único ataque. Devo levar em conta não só a quantidade de golpes que sei que poderei executar, mas também quais são as possíveis técnicas de defesa que o(a) oponente pode dominar. Surge aí a incerteza.

 

Para cada golpe, há um número de defesas e contragolpes possíveis. Como saber qual será utilizada para tentar tornar meu golpe sem efeito? Não há como saber o que o(a) adversário(a) está pensando, certo? Para tanto, buscaremos informações. Essas informações vêm, principalmente, do treinamento. Ou seja, cada vez que treinamos, adquirimos mais informações sobre nosso desempenho, fraquezas e potencialidades. Aprendemos como podemos melhorar e testamos maneiras mais refinadas para aplicar a mesma técnica. Ainda, podemos também estudar nosso(a) adversário(a) de forma antecipada. Ver suas lutas anteriores, buscar entender como o seu tamanho, peso, vigor muscular podem auxiliar ou prejudicar seus esforços de defesa.

 

Uma vez que tenho essas informações, posso então calcular qual o risco de que cada golpe terá o efeito que quero que tenha. Assim, o restante, teoricamente – e simplificando muito –, dependerá de minhas condições físicas no momento. Só assim, terei condições de tomar a decisão de qual golpe devo desferir.

Detalhe: tudo isso ocorre em menos de 1 segundo (mas isso é tema para outro texto).

 

Relação com esporte

Ok, mas o que isso e a prática regular de atividades físicas têm em comum?

Como eu disse acima, o exercício físico acompanha diversos benefícios para a saúde mental e para a cognição. Quanto mais treinamento e exposição temos, mais “fácil” a execução de um dado comando mental ou muscular acaba se tornando. Tente se lembrar da primeira vez que você praticou seu esporte preferido. Provavelmente foi um “desastre” (novamente, leia o texto do André para entender a razão das aspas), certo?

 

Pouco a pouco você foi criando maior familiaridade, sua resposta para estímulos dentro do jogo ou partida ficam mais rápidas e o que antes parecia difícil, agora é extremamente fácil.

 

Além do esporte

Esse efeito traduz-se para a vida fora do esporte também.

Estima-se que tomamos milhares de decisões por dia. Em grande parte, decisões consideradas ótimas são tomadas em função de melhor acuidade cognitiva e adequação ao ambiente em que estamos inseridos naquele momento. O esporte nos coloca em diversas condições, nos prova, nos testa, faz com que tenhamos que pensar da forma mais racional possível em um cenário de absoluto esgotamento físico (onde as condições cognitivas são extremamente precárias). É um teste de fogo para o corpo e principalmente para mente. Quanto mais treinados estamos, mais prontos estaremos do ponto de vista psicológico.

 

É o que dizem, a prática leva a perfeição. Ainda que no esporte a perfeição seja dificilmente alcançada, quanto maior nosso contato com o esporte, mais próximos estaremos da nossa perfeição cognitiva.

 

E pra você? Como você enxerga o processo de decisão dentro do seu esporte favorito? Você se preocupa em praticar esporte para tomar decisões?

Comenta abaixo e vamos trocar uma ideia!

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