Breve relato sobre obesidade: como era no princípio, agora e sempre??

Vênus de Willendorf (24.000 a 22.000 anos – figura 1A), Alessandro Dal Borro (1600-1656 – figura 1B), Daniel Lambert (1770-1809 – figura 1C). Que relação você poderia estabelecer entre esses personagens históricos?

 

Figura 1. Vênus de Willendrof (A); General Alessandro Dal Borro (B); Daniel Lambert (C).

 

Acredito que já perceberam que ambos são “gordinhos” ou para os padrões politicamente corretos da nossa sociedade, obesos. A 22.000 anos atrás a sociedade da época, a Vênus de Willendorf era vista como ideal feminino de fertilidade e manutenção de energia a longo prazo para a geração da prole. Mais adiante no século XVII, o general italiano Alessandro Dal Boro, também conhecido como o Terror dos turcos, era admirado e reverenciado pelas suas dimensões corporais. Acredita-se que ele chegou a pesar mais de 250kg e morreu jovem, com apenas 56 anos. Já na virada do século XVIII para o século XIX, temos a figura de Daniel Lambert, um carcereiro inglês que também era idolatrado pelas suas dimensões corporais. Registros históricos dizem que ele chegou a pesar entre 340kg e 350kg, e também morreu jovem, com apenas 39 anos. Ora, podemos supor que suas mortes foram em decorrência do peso excessivo, da obesidade, porém, os registros não trazem com clareza a causa da morte de cada um deles. Vale lembrar que em nenhum momento da história a obesidade é tratada como uma doença, como um problema de saúde pública, isso até 1985.

 

Em 1985 no Consenso do National Institutes of Health (NIH/USA) a obesidade se torna um conceito importante. Foi neste período que a NIH identifica a obesidade como um grande problema de saúde pública nos Estados Unidos (inicialmente, e posteriormente no mundo), foi nesta publicação (Annals of Internal Medicine. 1985; 103 (6 pt 2): 1073-1077) onde são sugeridas áreas de estudo em que se poderia apostar, entre elas: marcadores moleculares, distribuição regional de gordura, distribuição energética, antropologia, psiquiatria e ciências sociais, tudo isso relacionada a obesidade. Hoje sabemos que é muito mais que isso. O problema além de multifatorial, ele é um fenômeno global, infelizmente.

 

Agora vamos aos fatos e dados. Como podemos avaliar obesidade? O primeiro método de avaliação de obesidade é atribuído Adolphe Quételet, cientista belga do século XIX que propôs o Índice de Massa Corporal (IMC), O IMC, que é calculado a partir do peso multiplicado pela altura ao quadrado é bastante útil para avaliar populações, ou seja, é importante para dados epidemiológicos. É um método rápido. O cálculo do IMC não é adequado para análise corporal individual, comparado a outros métodos, como por exemplo, o método de dobras cutâneas. De qualquer forma, o IMC é criado e a partir dele são elaborados critérios e as condições relativa ao peso e saúde ao qual a população se encontra (tabela 1).

 

Tabela 1. IMC = PESO/ALTURA2

 

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) a prevalência a obesidade entre adultos nos Estados Unidos em 1985 estava entre 10-14% da população, ou seja, IMC maior ou igual a 30. Muitos estados americanos ainda não tinham dados (figura 2).

 

Figura 2. Mapa de prevalência a obesidade segundo CDC em 1985.

 

Em 2018 (dados do último levantamento), após 33 anos, o quadro não é nada animador para os americanos (figura 3). Nenhum estado ou território tem prevalência com menos de 20%.

 

Figura 3. Mapa de prevalência a obesidade segundo CDC em 2018, 33 anos após o início do levantamento de dados sobre obesidade.

 

E no Brasil? Como a prevalência à obesidade se comporta aqui? Segundo IBGE dados levantados entre 2006 e 2010, viram o sobrepeso saltar de 43% para 48%, e a obesidade de 11% para 15% (figura 4).

 

Figura 4. Dados de prevalência de sobrepeso e obesidade na população com de 20 anos ou mais no Brasil.

 

Sabemos que a obesidade se caracteriza pelo desequilíbrio entre a ingestão calórica e o gasto calórico, ou seja, come muito mais do que gasta. A obesidade está associada a série de fatores de risco. Vamos a eles excesso de gordura corporal, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, entre outros. Esses fatores podem trazer e agravar sérios prejuízos à saúde, tais como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, osteoartrite e alguns tipos de câncer (cólon e mama, por exemplo). E a obesidade pode ser agravada por interações multifatoriais, como metabolismo, meio de convívio e a genética de cada indivíduo (WHO/OMS, 2014 e 2014).

 

Finalmente (mas não encerra aqui o assunto), estamos vivendo uma pandemia de COVID-19 (COronaVIrus Disease – 2019), doença provocada por um tipo de corona vírus, que ainda não se conhece uma vacina, que possa imunizar a população. Está bem claro que sobrepeso e obesidade são fatores que podem agravar as complicações provocadas pelo COVID-19, por isso pessoas com sobrepeso e obesidade são consideradas grupos de risco. Fatores como equilíbrio nutricional, exercícios físicos regulares, hábitos mais saudáveis, entre outros, são fortes aliados na prevenção de várias doenças. Sobrepeso e obesidade é considerada pela WHO/OMS como uma epidemia global lenta, mesmo havendo baixíssima prevalência em países asiáticos e africanos. Existe controle e tratamento sobre ela, diferente da COVID-19, por isso, mantenha-se saudável, esse conselho não vale apenas para obesidade e COVID-19, para tudo na nossa vida. Certo!! Valeu!

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